Sunday, 27 March 2011

Um Senhor... (1920-2011)


O Artur Agostinho era o 3º avó que eu gostava de ter tido. Sempre gostei sua simpatia, das suas palavras, do seu talento que abrangia todas as áreas da comunicação. Sempre que o via na televisão sorria. Tinha aquela capacidade de me pôr de bem com a vida. Sempre que o via ao vivo, em Alvalade, sentia o mesmo. Sinto que o conhecia, apesar de ele não me conhecer. Há pessoas assim que, passam na nossa vida, nos marcam sem nunca se aperceberem disso. Aos 90 anos continuava com uma clareza de espírito invejável que poucas pessoas alcançam na vida.

Há poucas semanas, enquanto jantava, vi-o na Grande Entrevista com a Judite de Sousa e quase me fez chorar com isto:

«Disse a alguns estudantes o seguinte: Mais vale verificar, a determinada altura, que erraram no caminho que iniciaram e perder um ano ou dois do que tirar um curso e viver amargurado toda a vida a pensar que se enganaram.»

Conseguiu resumir numa frase o que eu durante anos tentei explicar e, recentemente, desisti de explicar.

Vou-me lembrar, sempre de si, como disse que gostaria de ser lembrado: «um gajo porreiro».

Obrigada, Artur Agostinho!

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